Sathnam Sanghera achava que já tinha visto de tudo.
Até ao dia em que decidiu experimentar um novo exercício de 'team building', utilizado nas acções de formação outdoor: o 'corporate firewalking'. Sim, leu bem: 'firewalking', ou seja, caminhar por cima de carvão em brasa, em bom português. Os gurus da gestão do Reino Unido e dos Estados Unidos garantem que este ritual milenar, praticado por vikings, índios, 'kahunas' havaianos, nativos das ilhas Fidji, monges tibetanos e jovens búlgaros, afinal também pode ser adaptada ao mundo empresarial do século XXI.
Depois de ter frequentado recentemente um curso para aprender a "fazer palhaçadas", durante um seminário dedicado ao tema da motivação pessoal e fortalecimento do espírito de equipa nas empresas, Sathnam Sanghera jurou que nunca mais se submeteria a este tipo de experiências. Mas quando ouviu falar do 'corporate firewalking' a curiosidade foi mais forte e o jovem cronista do Financial Times decidiu contratar um formador com experiência na arte de "caminhar sobre o fogo" só para si.
O eleito foi o "treinador motivacional" Martin Sterling, de 43 anos, fundador da empresa MIB - Men In Black ( www.mib-global.com ), ex-detective privado e ex-instrutor de artes marciais, famoso no Reino Unido pela sua abordagem "inovadora" em relação ao tema da motivação pessoal no contexto empresarial. Martin garante que o seu objectivo é ajudar as pessoas a atingir os seus resultados de forma rápida e eficaz. Por isso mesmo, a empatia entre Sathnam e Martin foi imediata. Em vez de explicar a pertinência do 'corporate firewalking' utilizando argumentos de "psicologia barata" e falando do "poder libertador do fogo", o consultor limitou-se aos factos racionais: para a maioria das pessoas, andar descalço por cima de carvão em brasa é algo impensável, por isso, se conseguirem ultrapassar esse desafio a sua autoconfiança sairá muito reforçada. Além disso, o "estado mental" em que se mergulha antes de caminhar sobre o fogo é semelhante ao que se adopta numa empresa, quando se toma uma decisão difícil de gestão ou se despede alguém.
Ao longo de 21 anos, Martin organizou mais de cinco mil eventos de 'corporate firewalking', para empresas como a Microsoft, a Vodafone, a BP, a Shell, a Fujitsu, o Barclays, a British Telecom, entre muitas outras. O treinador garante também que não é uma actividade perigosa. De novo, restringiu-se aos factos: a pele da sola dos pés é 25 vezes mais grossa do que a do resto do corpo, logo, mais resistente; e o carvão em brasa arde a uma temperatura entre os 650 e os 815 graus Celsius, mas como é um mau condutor de calor, não queima facilmente. Conclusão: se o percurso por cima das brasas for curto e feito com alguma ligeireza e rapidez, os pés sairão ilesos.
E foi o que aconteceu a Sathnam Sanghera, que depois de experimentar o "corporate firewalking' ficou completamente fã. E garante que caminhar sobre brasas é mais barato do que outras actividades bem mais excêntricas que são utilizadas para reforçar o espírito de equipa: domar cavalos,

